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♥ 2
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O sol aparece tímido pela janela da frente, iluminando gentilmente meu rosto proximo do dela. A noite passou dando lugar pra luz, a luz que eu não queria ver anunciando que aqueles dias tinham findado. Prometi tantas coisas, e agora me encontrava de mãos atadas, diante do maior assassino que eu declarei distância, nas mãos, no colo, e sorrindo de graça, oferecendo o que eu tinha de guardado. Minhas entranhas destruídas. Não eram mais as mesmas, foram quebradas, e eu as entreguei a ela de novo. A assassina de tudo que me mantinha de pé. “Não dorme.. a gente tem duas horinhas juntas só..” a noite em claro que antes era arte escondida no teto dos pais, ali no meu apartamento pequeno e bagunçado só me passava a ideia de um dever. Algo que meu coração impunha, pra poder respirar no dia seguinte quando os cômodos estivessem vazios. “Aproveitei ao máximo..” Igual criança quando dorme com o brinquedo. Assassina, eu repetia na minha cabeça segurando a barra da tua blusa, deitada em seu colo.. “O que tá pensando?” “Nada..” eu respondi. Minha cabeça, meu coração e minha boca brigavam entre si, com tanta bagunça por dentro. Mas essa bagunça, essa briga e essas duvidas ainda eram melhores que a distancia ou ficar sozinha com meus cacos. Estranho aquilo, pedir colo pra quem te machucou. 8horas. A porta se abriu deixando a casa ainda mais clara, forçando meus olhos a se acostumarem com a claridade depois de tantas horas no escuro envolvidas por teus braços. Ela podia ficar. Podia ligar que não ia voltar, podiamos trancar todas as portas e janelas.. Morar ali pra sempre, fazer estoque de comida. Podia… Mas ela foi embora, com um beijo na testa e o que tinha nas mãos. E quando eu fechei a porta percebi, que mesmo sendo tudo aquilo e com tanta coisa dentro de mim. Era eu que ia embora também, ela me tinha.. Assassina.

Ana Viana
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Gostava quando ela dizia: “sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você”. Ela gostava quando ele dizia: “gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo”. E de quando ele falava calmo: “você tá tensa, vem cá”. E a abraçava e a fazia deitar a cabeça, no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito.

Caio Fernando Abreu 
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Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos.

Tati Bernadi.   
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Antes de se sacrificar por alguém, pense nisso: Será que ele faria a mesma coisa por você?

O Caçador de Pipas 
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Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto.

Caio Fernando Abreu (via jornascimentto)
♥ 9
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O que dizer sobre felicidade? Nada.
Isso enche o saco de todo mundo. A felicidade de uns faz a infelicidade dos outros. Vocês iriam ficar com inveja, mesquinhos. Por que é que as coisas estavam indo tão bem assim para a gente, e não para vocês? Eu também não vou contar para vocês a respeito da minha cara de pateta sorrindo, viu? Isso não se conta, um sorriso, sobretudo com cara de pateta.
Eu não vou transcrever para vocês as tolices adoráveis que a gente fica trocando um com o outro ao longo das noites, sem descrever a maneira dele de recolocar as minhas mechas atrás da orelha, a suavidade do rosto dele contra o meu, e seu olhar mergulhado no meu…
Como estão vendo, eu caio rapidamente nos piores clichês. Rostos grudados, olhos nos olhos, mão na mão… Como a gente fica babaca quando apaixonada! Como ficamos patetas, melosas, românticas, inativas, improdutivas, egoístas, cegas e surdas…
A obscuridade radiante que reina no meu quarto quando durmo nos braços dele… a febre que nos excita, nossas conversas exaltadas e nossos abraços sôfregos… o desejo latente que dora velozmente satisfeito… o esquecimento total deste mundo insignificante… apenas ele… apenas eu… nossos membros misturados… nossas risadas sincronizadas em harmonia… E a gente rola no chão da cascata de penas virginais de um travesseiro furado… Eu me esquivo de brincadeira… para em seguida me entregar e recair de costas na cama… minhas pernas nuas no ar… Depois do gozo, o abraço… e afogar meu olhar nos seus olhos límpidos… e oferecer meu pescoço aos seus lábios ávidos… acender um cigarro que dividimos… sem nada mais desejar… sem nada mais recear… a saciedade de imperfectível do corpo a corpo… do coração no coração… acalentada pela música extática das palavras de amor que me são destinadas… lassidão que freia por alguns momentos o entusiasmo da paixão. Nossos dois seres exauridos jazem um ao lado do outro… em silêncio… e exultam unicamente por estarem juntos.
(…)
Viver de amor, Evian e Malboro light.
E achar que isso bastava.

Hell
♥ 8
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No fundo, eu acho, que eu deveria te agradecer. Não por você ter sido ruim, insensível, maldoso, frio, calculista, covarde ou infiél, não por isso. Mas por ter me mostrado, de uma certa forma, que muito embora você tenha usado os quatro últimos anos das nossas vidas pra destruir a minha como eu a conhecia antes, eu ainda fui capaz de sair do seu lado – ainda que incompleta – não destruída. Tenho que te agradecer porque o seu medo de se entregar para o amor total não acabou com a minha vontade de acreditar nele. E tenho que te agradecer também por – através de um método cruel – ter me ensinado que, na vida, é preciso se ter cautela.

Se hoje eu sento aqui e consigo olhar pra ele com olhos curiosos e, ao mesmo tempo, cuidadosos, eu devo isso a você. Se hoje percebo que ele me quer de uma maneira verdadeira, sem trapaças e com promessas de amor que serão cumpridas, eu devo a você. Se hoje sou capaz de atitudes que nunca fui na minha vida porque você tinha prazer em me fazer insegura e ter me mostrado que numa escala do que eu não quero emocionalmente pra mim, você é um extremo, ele o outro, devo a você também.

Quero dizer que minha vida era boa antes de você, mas que ficou muito melhor depois que você foi embora e, quando eu te desejo felicidade, eu não falo por falar, eu acho mesmo que ambos estamos melhores separados. Mas preciso muito, antes de mais nada, com a maior sinceridade que já tive na minha vida que te saudar por me mostrar que o nosso amor era ruim, mas nem todo amor tem que ser.


Rani Ghazzaoui
♥ 7
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Te vi outro dia pela janela, lá estava você fazendo as mesmas coisas, com a mesma barba mal feita que fui eu que te ensinei a deixar no rosto. Estava lá você com as suas roupas que fui eu quem escolhi, sorrindo um sorriso que eu conheço bem, sei exatamente a distância do seu lábio à gengiva aos dentes. Sei os milímetros. Lá estava você, exatamente do jeito que eu deixei, através daquela mesma janela de vidro, parado no tempo. E eu sei que você vai continuar lá, fazendo os mesmos movimentos que eu já sei com as suas mãos machucadas pelo tanto que você cutuca tudo com elas. Eu te mudei e você não vai mudar porque é assim que você sabe ser, contentando-se naquela medianidade, mediocridade que – pra mim – não dá tesão porque é justamente na certeza das coisas que a gente se acostuma a fazer de olhos fechados que o mundo deixa, então, de ser visto.

Eu fui embora de você e, agora, eu mando todo mundo embora de mim porque decidi que quero ser uma rua de passagem ao invés de uma viela sem saída. Um dia quem sabe alguém que goste de cinema, de arte e de música boa chegue aqui e, meio que sem dar muita bandeira, comece a cobrir os postes com fotos de coisas e pessoas incríveis, escrevendo no chão cartas de amor não brega. Talvez ele chegue e traga pessoas pra socializar no meio de uma festa colorida e, aí, sem perceber eu vou acabar fechando de novo a rua com árvores e portões flexíveis, pra fazer a comemoração pela vida ser privada.

Quando você abre os braços pra vida, amores de morte perdem o lugar no abraço. Continue sorrindo, mantendo a sua barba e tente achar uma camisa do mesmo tom que tem a de agora quando essa desbotar e eu não estiver mais aí pra escolher outra pra você. Logo, logo – eu sei – você bloqueia outra cabeça, outra casa, outra vida. No meio tempo eu vou estar aberta, livre e olhando tudo o que tem em volta de mim. Nossa felicidade nunca ia ser a mesma, hoje eu vejo, já que seu amor é cheio de bloqueio, e o meu cheio de curiosidade. Sejamos felizes, você explorando o amor de alguém e eu, a vida.


Rani Ghazzaoui
♥ 23
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